segunda-feira, 28 de março de 2011

Spoiler alert: texto escrito de madrugada, num folego só, num computador com teclado alemao. Acentos faltarao, erros sobrarao e o assunto é triste.

Por conta da internet já conheci muita gente bacana. Gente que, ainda que nao saiba disso, mudou minha vida e minha maneira de ver o mundo. Uma dessas pessoas, o Alex, amigo querido mas com quem nao mantenho contato regular, tem um blog muito, muito famoso. E polêmico. E provocador. Nem sempre concordo com o que ele diz ou com a maneira com que ele fala, mas seus textos quase sempre me fazem parar e pensar ou repensar algum assunto.

Tempos atrás ele escreveu sobre empatia e do quanto a vida se torna difícil ao se exercitar a empatia da maneira mais ampla possível, quando vc se coloca no lugar de desconhecidos, deu como um dos exemplos o de um mendigo na rua. De fato, fica muito mais difícil viver quando vc passa a imaginar o que levou uma pessoa a uma determinada situacao, em especial quando acontece alguma tragédia.

Esse post do Alex ficou meio esquecido até que, dois dias atrás, li um tweet sobre a empatia. E achei bacana, lembrei do exercício que ele propôs aos leitores do blog. E hoje, a mesma pessoa que escreveu sobre empatia, soltou um comentário tao podre, tao feio, tao antipático, que me assustei. E confesso que tenho dificuldade de entender a enorme antipatia que um suicida atrai.

Aquela revista cheia de fotos de celebridades, com textos pequenos e absolutamente desimportantes, publicou trechos de uma carta que a atriz escreveu, antes de se matar. Achei lamentável a publicacao da carta, horroroso lucrar em cima da morte alheia, mas juro que entendi menos ainda a reacao de algumas pessoas, dizendo que "ela nao vai fazer falta no mundo", dentre outras delicadezas. Caramba, como alguém pode pensar assim?

É indiscutível que essa suicida tinha sérios, seriíssimos problemas psicológicos/psiquiátricos. E deixou dois filhos, desistiu de tudo, por dizer que nao aguentava mais sentir dor. Essa nao foi a primeira carta de suicida que eu li. Ao fazer estágio na Promotoria do Júri, logo no primeiro dia li um inquérito policial sobre um suicídio. Era um homem de uns 70 anos, viúvo há pouco tempo, que nao aguentou a solidao e a saudade e se enforcou em casa. No inquérito, além das fotografias dele, havia uma carta, enderecada à família. E nela, a mencao a solidao, saudade, dor. Nao foi o único caso, nem a única carta que li. Algumas eram absolutamente incompreensíveis, outras muito simples, uma absolutamente metódica, escrita com letra de forma em papel quadriculado, com instrucoes a quem o encontrasse, um pedido de desculpas à família e instrucoes sobre a divisao dos bens.

A experiência profissional me deixou mais sensível ao tema e com uma profunda dificuldade de entender a antipatia que os suicidas despertam.

Nao sou religiosa, nao me interesso pelo aspecto religioso do assunto e nao pretendo levantar bandeiras, apenas quero exercitar um pouco da empatia que a morte da atriz, quase da minha idade, despertou em mim.

6 comentários:

Mi disse...

realmente no mundo de hj é dificil sentir uma empatia verdadeira...a gente sente pelos outros, mas raras vezes a gente entende. sobre o suicidio...nao sei se é ter muita coragem ou a falta dela. Pra mim pessoalmente seria um ato de muita coragem, pq acho que preferia matar meio mundo antes de me suicidar. Mas pra algumas pessoas é um simples ato de desespero e falta de coragem de persistir na vida. Nao gosto de julgar ninguem, cada caso é um caso. bjs!

}¡{ disse...

Te digo, tem q estar numa dor imensamente profunda pra vc tirar a própria vida. Eu não consigo nem pensar nisso.
Tenho 1 caso na família e é muito chocante.

Tem gente q absolutamente faz NENHUM esforço pra pensar antes de vomitar algo online. Ainda bem que pra 10 boçais, existem 15 com bom senso.

<3

Joaninha Bacana disse...

Nao dá para saber porque o caso de suicídio gerou antipatia na pessoa, sem saber que situacoes ela passou ou vivenciou. Talvez se o pai ou a mae tenham se suicidado quando ainda pequeno, isso gere uma antipatia por esse ato quando adulto, nao?
De qualquer forma, é meio chocante ver uma pessoa vendo com antipatia um ato tao triste e tao cheio de desespero!
Beijos, Angie

Camila disse...

@Angie - a comentarista tem os pais vivos e bem, acho que foi um lapso de escrotidao mesmo. Interessante que ela se diz tao pra cima, tao do bem, tao tao e solta um comentário feio desses... Xapralá, parei de segui-la, pq a opiniao dela nao me interessa mais.

Roseane, disse...

Oie Camila, olha essa coisa de empatia e antipatia é serio mesmo. Já quebrei a cara várias vezes, dos 2 lados. Bom domingo!

Junior disse...

Infelizmente, minha cara, existem pessoas sem nenhuma sensibilidade ou completamente ignorantes neste mundo, em qualquer parte. Principalmente, que se utilizam da falsa impressão de anonimato da internet para escrever absurdos, difamar pessoas, ou então, julgar sem nenhuma base ou tato.
Talvez, essas pessoas nunca tenham ouvido sobre a história de Alexandre Magno, que antes de morrer pediu para os homens de seu exército que em seu velório fosse despido, envolto em pano branco e com os braços colocados para fora, para mostrar a todos que o Grande Imperador em vida, nada levou de material do mundo dos vivos para a morada dos mortos.
Força!