Todo o choro e ranger de dentes nos fóruns online, causado pelas notícias sobre o caso da brasileira na Suíça me fizeram pensar.
Uma constante em todo e qualquer fórum online que reúna expats é "a imagem do Brasil no exterior". Por conta dos ânimos inflamados, gente acusando a moça de mentirosa e dizendo que ela manchou a reputação dos brasileiros no exterior, cobrando dela consideração para com os compatriotas, já que eles podem ser prejudicados pelas atitudes dela (!!!), parei pra pensar sobre o que seria "a fama dos brasileiros no exterior".
Até então eu acreditava que os brasileiros gozavam de má-fama, que eram sumariamente discriminados e que qualquer notícia ruim era mais um metro descido em direção ao fundo do poço. Não sei bem porque pensava assim, mas isso me parecia indiscutível.
Vi os brasileiros na Alemanha se digladiando a respeito do caso dessa moça, numa discussão imensa, prolongada, enjoada, em que poucos se mantiveram fiéis à opinião que tinham no começo. (Mudar de opinião não é um problema, muito ao contrário - tanto que estou aqui admitindo isso.) A princípio os defensores da Pátria deixaram recados irritados com o desrespeito aos estrangeiros, chamando os suíços de racistas e bradando contra a crueldade do ataque contra uma mulher grávida.
Assim que a mídia começou a se pronunciar sobre o assunto, surgindo as primeiras matérias traduzidas e as escritas por jornalistas brasileiros, começou a desconfiança. Em dois ou três dias, a mesma pessoa por quem muitos protestaram, virou uma mentirosa inescrupulosa, que não se preocupa com as consequências dos seus atos, que podem vir a prejudicar a imagem dos outros brasileiros no exterior. Ui. Acabei de ler um recado sugerindo que "a tendência de ela vir a se suicidar é muito grande".
Ou seja, a honra é uma entidade tão sagrada, que a única saída pra quem a fere é a morte.
Peralá.
Conversando com Marido, tempos atrás, ouvi que brasileiros não são malvistos. (E ele não fala coisas para me agradar, ele é direto como as pessoas costumam ser por aqui.) Sempre que conheço alguém novo, ao me identificar como brasileira costumo ser bem recebida. Já me surpreendi com gente sabendo dados como a população de São Paulo (e eu nem tenho idéia de quantos habitantes existem em Istambul), sabendo que falamos português, o nome da nossa capital, mencionando filmes e artistas que eu não conheço. Ou seja, o preconceito era meu.
Não estou negando a existência de preconceito contra brasileiros, apenas dizendo que eu imaginava que, por ser brasileira, seria imediatamente rotulada como dançarina de samba, arruaceira, irresponsável. Coisa que eu nunca fui, diga-se de passagem. Sempre que posso, falo sobre as coisas boas do meu País. E geralmente meus interlocutores escutam atentos, fazem mais perguntas, são gentis. Babacas existem, mas babaquice independe de nacionalidade.