segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

(i)legítima defesa da honra

Todo o choro e ranger de dentes nos fóruns online, causado pelas notícias sobre o caso da brasileira na Suíça me fizeram pensar.
Uma constante em todo e qualquer fórum online que reúna expats é "a imagem do Brasil no exterior". Por conta dos ânimos inflamados, gente acusando a moça de mentirosa e dizendo que ela manchou a reputação dos brasileiros no exterior, cobrando dela consideração para com os compatriotas, já que eles podem ser prejudicados pelas atitudes dela (!!!), parei pra pensar sobre o que seria "a fama dos brasileiros no exterior".
Até então eu acreditava que os brasileiros gozavam de má-fama, que eram sumariamente discriminados e que qualquer notícia ruim era mais um metro descido em direção ao fundo do poço. Não sei bem porque pensava assim, mas isso me parecia indiscutível.
Vi os brasileiros na Alemanha se digladiando a respeito do caso dessa moça, numa discussão imensa, prolongada, enjoada, em que poucos se mantiveram fiéis à opinião que tinham no começo. (Mudar de opinião não é um problema, muito ao contrário - tanto que estou aqui admitindo isso.) A princípio os defensores da Pátria deixaram recados irritados com o desrespeito aos estrangeiros, chamando os suíços de racistas e bradando contra a crueldade do ataque contra uma mulher grávida.
Assim que a mídia começou a se pronunciar sobre o assunto, surgindo as primeiras matérias traduzidas e as escritas por jornalistas brasileiros, começou a desconfiança. Em dois ou três dias, a mesma pessoa por quem muitos protestaram, virou uma mentirosa inescrupulosa, que não se preocupa com as consequências dos seus atos, que podem vir a prejudicar a imagem dos outros brasileiros no exterior. Ui. Acabei de ler um recado sugerindo que "a tendência de ela vir a se suicidar é muito grande".
Ou seja, a honra é uma entidade tão sagrada, que a única saída pra quem a fere é a morte.
Peralá.
Conversando com Marido, tempos atrás, ouvi que brasileiros não são malvistos. (E ele não fala coisas para me agradar, ele é direto como as pessoas costumam ser por aqui.) Sempre que conheço alguém novo, ao me identificar como brasileira costumo ser bem recebida. Já me surpreendi com gente sabendo dados como a população de São Paulo (e eu nem tenho idéia de quantos habitantes existem em Istambul), sabendo que falamos português, o nome da nossa capital, mencionando filmes e artistas que eu não conheço. Ou seja, o preconceito era meu.
Não estou negando a existência de preconceito contra brasileiros, apenas dizendo que eu imaginava que, por ser brasileira, seria imediatamente rotulada como dançarina de samba, arruaceira, irresponsável. Coisa que eu nunca fui, diga-se de passagem. Sempre que posso, falo sobre as coisas boas do meu País. E geralmente meus interlocutores escutam atentos, fazem mais perguntas, são gentis. Babacas existem, mas babaquice independe de nacionalidade.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Vacas de presépio

Estou decepcionada no comportamento digno de vacas de presépio dos jornalistas brasileiros.
Acredito que a brasileira seja vítima de um ataque e me recuso a aceitar as acusacoes feitas pela imprensa suíca, que a chama de mentirosa, nega a sua evidente gravidez e a acusa de automutilacao.

Acompanhei, durante o dia, as discussoes no Orkut (e senti muuuuuuuito nojo de algumas opinioes) e estou chocada com a pobreza de alguns espíritos, que dispuseram de tempo o suficiente para encontrar o perfil dela e dissecar as informacoes ali presentes, além de deixarem recados.

Vejo nesse episódio o abandono em que os brasileiros vivem, ao escolherem novas pátrias. Nao há apoio onde estao, nem de onde saíram. Triste, muito triste.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que não tem desculpa, nem nunca terá

Meninas, mais uma vez obrigada pelo carinho, pela torcida, por tudo. Vocês são estrelinhas que iluminam o meu blog...
A torcida era pra um emprego, que parecia bem bacana, mas não rolou. Paciência, continuarei tentando, não vou desanimar.
Recebi de uma amiga querida o link pra uma notícia de horror - uma advogada brasileira, grávida, foi atacada na Suíça. Ela falava ao telefone, em português, com sua mãe, quando três monstros (não acho palavra melhor pra me referir a eles) a agrediram e, não satisfeitos com a brutalidade do ataque, gravaram na sua barriga e pernas a sigla SVP - Schweizerische VolksPartei. Ao ser socorrida, foi novamente agredida, dessa vez com palavras: "Se o que a senhora estiver dizendo for mentira, vai ser processada.". Por conta do ataque, ela perdeu seus bebês.
Não deixarei o link, por não querer ver as fotos de novo. Mas estou chocada, triste, com o coração pesado. O que fizeram com ela não tem desculpa, nem nunca terá.
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
(Tomando emprestadas as palavras do Chico, pra descrever o tamanho da minha ira.)