Esse post é um diálogo comigo mesma - aviso antes pra ninguém se surpreender e pensar "ah, que post chato."
Gosto muito dessa expressão - e hoje percebi o quanto eu preciso tomar conta de mim e não me perder em autopiedade.
Nos últimos meses tenho reclamado demais, chorado e choramingado demais, mas não fazia muito esforço pra melhorar. Reconheço que não ando boa companhia pra ninguém... (muito menos pra mim!)
No meu aniversário de 30 anos, resolvi me presentear com o direito de ser feliz. E porque eu deixei isso de lado? Difícil de entender... E eu não tinha percebido o quanto estava infeliz, até meu corpo gritar. Como minha ginecologista comentou, sou nova demais pra ter pressão alta (e a minha tem estado perigosamente alta), não passa um dia sem que eu chore ou pelo menos tenha vontade de chorar e eu não gosto de me ver em fotos, estou mais introvertida do que nunca e, apesar de ter amigas muito queridas em Frankfurt, tenho me sentido muito só.
Ontem passei a tarde em uma clínica cardiológica, numa sala de espera em que a pessoa mais nova devia ter uns 75 anos de idade e ao final do dia ouvi do médico que não havia nada de errado comigo (fisicamente falando). Entrei lá com a pressão alta (160X110 mmHg) e ao fim do dia estava mais perto do normal. Isso me fez perceber que se não tenho problemas de coração, meus rins funcionam direitinho, meus hormônios estão relativamente em ordem, não sou diabética, a pressão alta pode ter a ver com stress. E o que tem me causado stress? Viagens de trabalho do Marido, que nos últimos meses passou em média 4/5 dias por semana fora, insatisfação com a faculdade, alimentação errada, falta de exercício. Em outras palavras, gorda, frustrada e com a autopiedade batendo forte...
Nem tudo o que me aborrece pode ser mudado - as viagens do Marido, por exemplo. Mas há coisas que podem ser mudadas. Comecei com um corte de cabelo (pontas duplas, ressecamento, saco cheio), me matriculei numa academia pertinho de casa (nada luxuoso, apenas funcional - meu objetivo é melhorar a resistência física e, talvez, emagrecer) e reconheci que não sou infalível. Ter começado o LL.M foi um afago no ego, mas continuar tem sido uma tortura. Tenho sentido uma dificuldade imensa em entender as aulas, entro em pânico só de pensar em apresentar um seminário ou escrever um trabalho, detesto os colegas. Tenho me consumido em frustração, o que não é bom, num curso que não vai me habilitar a exercer minha profissão. Ou seja, não vale a pena.
Ao conversar com Marido, ele me disse que nem tudo na vida é divertido ou agradável. Concordo, claro, mas se o sofrimento que a faculdade me causa é tão grande, não faz sentido continuar. Meu alemão está pior do que antes (já que não falo com ninguém, não tenho amigos por lá), minha auto-estima abaixo de zero e meu corpo reclamando sem parar. Ele me disse que quer me ver feliz. E eu não quero ser um peso pra ele, reclamando o tempo todo, doente, chorosa. Quero parar de resistir e finalmente me adaptar à vida nova...
Vou desistir do curso e cuidar de mim. Vou procurar um emprego também, quero me sentir produtiva, tenho sentido uma falta imensa de trabalhar. Ocupar minha cabeça com outras coisas que não os problemas que eu tenho criado.
Pra quem é expat, a adaptação de vocês também foi difícil assim?