quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Soul food

Há cerca de meia hora acabou um documentário, que eu peguei já começado, sobre um chef de cozinha que trabalha num "Hospiz", no caso uma instituição para pacientes terminais, em sua maioria bem idosos.

Fiquei fascinada com a gentileza dele ao visitar cada paciente e perguntar pelo prato preferido, pela maneira que deveria preparar a comida (a uma senhora foi perguntado se legumes caramelizados eram "exóticos demais" e ela disse que sim, que queria apenas legumes cozidos), se apesar da falta de apetite um outro senhor aceitava um pouco de iogurte com ameixas (e ele contou, enquanto picava as frutas, que havia se esquecido de acrescentar um pouquinho de licor ao iogurte, o que enfureceu o paciente...), um outro paciente comia com satisfação um belo pedaço de bolo com chantilly (a doença, incurável, o fez emagrecer 14 kg, segundo relato do filho, que estava feliz ao ver o pai comer e brincou que depois viria sorvete ou mais um pedaço de bolo). A delicadeza e a gentileza desse chef me emocionaram profundamente; ao contar de um paciente que quis um prato mais elaborado, cujo preparo demandava mais tempo, ele pareceu bem triste ao dizer que quando o prato ficou pronto, era tarde demais. Nem preciso dizer que chorei, chorei, chorei...

Quando eu era apenas filha, não me passava pela cabeça o quanto cozinhar é um ato de amor. Eu não estava madura para essa idéia, não era o momento. Com o casamento, assumi o fogão, justo eu, que não sabia fritar um ovo...

Eu já gostava de filmes que sugeriam a cozinha como expressão de amor. A festa de Babette, Como água para chocolate, Vatel, Chocolate, Bella Martha, O cheiro do papaia verde, Ratatouille. O que eu não sabia é que além de gostar de comer, eu começaria a gostar de cozinhar.

E comecei a gostar de tudo o que envolve cozinha. Eu via o Anthony - aiaiai - Bourdain na tv, adorava o programa e o jeitão übercool dele. Li seus livros e me encantei com a paixão que ele tem por comida e cozinha, comecei a ver livros de receitas como literatura (acho "Afrodite", da Isabel Allende, lindo) e, apaixonada por livros que soy, já tenho mais livros que a mini-estante da cozinha consegue comportar. Minha lista de blogs favoritos tem pelo menos uns 20 blogs culinários, que visito regularmente e adoro. Como com os olhos, pra ser mais precisa...

3 comentários:

Joaninha Bacana disse...

Oi!
Adorei a dica dos filmes: nao vi nem Vatel, nem Cheiro de Papaia Verde!!! Vou por na minha listinha de coisas a serem feitas em 2009 :oD
Beijos, e Boas Festas pra voces,
Angie
P.S. Tô com medo do MRI, mas vou fazer que nem voce - olho super-mega-hiper fechado o tempo inteiro :o)))

Alessandra disse...

É uma historinha parecida com a minha. Em casinha de mamãe sempre teve empregada, minha mãe não sabe cozinhar, e o resultado disso é que eu achava um completo mistério cozinhar até arroz. Quando conheci meu marido e minha sogra é que comecei a prestar atenção em comida, e não apenas comer hehehe Ele me ensinou a cozinhar e daí comecei a fuçar blogs de culinária também! Vicia, né? Também sou formada em Direito mas não tabalho. Gostei do seu blog, acho que é a 5ª vez que o visito.
Beijos!

Silvinha disse...

Eu adoro cozinhar, sempre adorei. Mas, desde que vim morar aqui, passei a cozinhar como nunca! (o que a falta de uma boa pizzaria não faz)

Vou checar alguns filmes que vc citou e eu não conheço!

Beijo!