quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O mundo anda tão complicado

Morar longe te coloca no melhor e no pior dos mundos.
Já faz dez meses que eu deixei "a segurança do meu mundo, por amor", como diria meu amado Renato Russo e tenho descoberto muita coisa...
Não me lembro de, em outro momento da vida, ter tido tanto tempo comigo depois de virar mocinha (infancia de filha única, o único irmão que eu tenho nasceu quando eu tinha 12 anos de idade) e isso é bittersweet. Na maior parte do tempo é ótimo, mas me faz uma falta enorme andar por aqui com alguém que eu conheça bem, que tenha as mesmas referencias, que ache graça nas mesmas coisas, que entenda porque eu morro de rir ao ver as mulheres cor de laranja passendo suas botas de cano longo e salto baixo, com uns cabelos de matar (de susto)...
Apesar de ter lido vários blogs sobre vivencia no exterior, não me lembro de ter lido sobre a impotencia de estar longe de pessoas queridas que estejam numa situação difícil. Acho que essa impotencia dói mais do que qualquer saudade, já que não há muito o que fazer além de mandar um e-mail ou telefonar, quando o que mais se quer é abraçar a pessoa querida e falar baixinho ao ouvido que vai dar tudo certo.
Chorei abraçando o travesseiro quando o meu padrinho morreu, em abril. Chorei, abraçando o travesseiro, quando o Alexandre da Fal morreu. Chorei, abraçando o travesseiro, nos dias dos pais e das mães, já que os meus, apesar de estarem bem, estão a mais de dez mil quilometros de distancia. E ontem chorei de novo, já que uma amiga querida perdeu um irmão e minha prima, grávida, foi pro hospital ter o nene, prematuro. Ainda não tenho notícias da minha prima, já que ao ligar pra minha mãe, antes de dormir, o nene ainda não tinha nascido. Ainda é muito cedo pra ligar, o fuso horário entre Frankfurt e São Paulo é de quatro horas.
Espero que o dia novo me traga boas notícias...


O Mundo Anda Tão Complicado
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Gosto de ver você dormir

Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa, é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor

1 comentários:

Marcelo Felix disse...

muito bom....descreve o que todos nós sentimos todos os dias. Mas admitimos no máximo uma vez a cada duas semanas.

Obrigado por definir tão bem tudo o que se passa pela cabeça de quem esta fora de casa. ou pelo menos fora da sua antiga casa!